sexta-feira, 21 de maio de 2010

Café filosófico marca o dia mundial da Filosofia

O dia da Filosofia é, acima de tudo, um exercício coletivo do pensamento, livre, racional e informado sobre os grandes problemas do nosso tempo". A frase do diretor geral da UNESCO, Koichiro Mastuura, estampou o banner que chamou os acadêmicos para o Café Filosófico, que ocorreu nessa quinta, dia 19, na Unifra.
Inspirado em uma atividade que iniciou com filósofos franceses, o Café tem como objetivo reunir pessoas interessadas no tema da Filosofia e mostrar sua importância no meio social. Antigamente, filósofos como Sócrates e, depois, Sartre, reuniam-se para discutir filosofia. "Baseado nisso, o Café Filosófico virou atividade de muitas instituições”, explica a professora Rita de Athayde Gonçalves, coordenadora do curso de Filosofia da Unifra.
O Café Filosófico teve a presença de professores da Filosofia, entre eles Valdemar Munaro, Vera Lúcia e Bethover Santos, que explanaram suas opiniões acerca do tema.
“É muito importante a realização do Café Filosófico dentro de um espaço universitário, um espaço de construção de conhecimento”, comenta Bethover Santos, professor de cursinho pré-vestibular. Para ele, a importância de estudar a Filosofia vai muito além do “passar para o vestibular”. “A Filosofia tem muito mais a contribuir como descoberta. Muito mais do que leitura e decoreba, ela é um olhar crítico para a realidade”, expressa.
 foto Diego Fontanella
Comemorado sempre na 3ª quinta-feira do mês de novembro, o Dia Mundial da Filosofia foi criado pela UNESCO, em 2002, porém passou a ser comemorado a partir de 2005. Santa Maria entrou nas comemorações apenas no ano passado, e a Unifra foi a única instituição da cidade que promoveu o evento para lembrar a data.
O Café Filosófico reuniu professores e acadêmicos e lotou o saguão do prédio 16 do Conjunto II. A conversa durou mais de uma hora.



*Reportagem publicada no site Agência CentralSul (19/11/2009)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Uma ditadura que se quer esquecer

* Reportagem
"Chora a nossa pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarices no solo do Brasil. Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente...". A letra de João Bosco, de O Bêbado e a Equilibrista, retrata o sofrimento de familiares de desaparecidos ao longo da ditadura. O lançamento da 2ª edição do livro Dossiê Ditadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil, trouxe à tona lembranças de uma época que muita gente preferiria esquecer.

fotos Gabriela Perufo 
Ontem, os departamentos de História da UFSM e UFRGS e a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do RS promoveram o debate/lançamento da 2ª edição do livro. O lançamento ocorreu na Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm).
O debate teve a coordenação do professor do Departamento de História da UFRGS, Enrique Padrós e do chefe do Departamento de História da UFSM, prof. Diorge Konrad. "Essa luta constante significa trazer à tona a memória e mostrar que ela persiste diante de uma série de problemas", comenta Enrique Padrós.
A guerrilheira Criméia de Almeida, que esteve na Guerrilha do Araguaia, e Suzana Lisboa, mulher de Luiz Eurico Lisboa (político desaparecido e irmão de Nei Lisboa), são co-autoras do livro, que reúne pesquisas e depoimentos de familiares dos desaparecidos na ditadura.
Suzana explica que a comissão dos familiares dos desaparecidos se constituiu naturalmente, quando se encontravam nos corredores policiais e quartéis à procura de seus parentes.
"Queremos a aplicação da Lei da Anistia. Não somos revanchistas, apenas queremos a verdade e a justiça", esclarece Suzana Lisboa. Segundo ela, até hoje os familiares não sabem como e onde foram mortos os ‘desaparecidos', em quais circunstâncias e quais os responsáveis pela morte. "Nosso objetivo é que os corpos sejam entregues aos familiares e que haja a punição dos responsáveis. Mas até hoje, não conseguimos isso", revela.
Criméia de Almeida, ex-guerrilheira e também mulher de político desaparecido, comenta que no decorrer das buscas por pistas de seus familiares, conseguiram entrar nos arquivos do DOPS e de IMLs. Ao revirar gavetas, encontravam fotos dos seus parentes torturados, quando a explicação para suas mortes era de suicídio.
"Sabemos que estão fora desse livro grande parte dos brasileiros que foram assassinados pela ditadura", comenta Criméia. A primeira edição do livro foi feita em 1984. Após o término da segunda edição, outros casos ainda surgiram. "Essa é a história da nossa busca. E não é a história final, infelizmente", conclui a ex-guerrilheira.

* Reportagem publicada no site Agência CentralSul (27/11/2009)