*Reportagem
Papéis de bala, tocos de cigarro, latas de cerveja, restos de comida e folhas secas. Elementos como esses são parte do cotidiano de quem trabalha para deixar nossa cidade limpa. Você pode não notá-los. Mas os garis estão todos os dias pelas ruas, limpando as calçadas e varrendo o lixo que você coloca no chão.
É assim que trabalha Marcionei Oliveira da Silva, 40, há seis anos. Antes de entrar na profissão, Marcionei foi metalúrgico, auxiliar de produção e jornaleiro. Como gari, sente-se bem. “Eu adoro o ‘bom dia’ que recebo das pessoas. Muita gente elogia o meu trabalho quando passam por mim, dizem que estou limpando bem e que a rua está bonita”, comenta. Marcionei trabalha oito horas por dia, e é responsável pela limpeza do trecho da Avenida Rio Branco. “De manhã a gente tira o grosso, e de tarde é pra manter limpo, porque sempre tem um papel ou um toco de cigarro pra ajuntar”, explica ele.
Porém, os garis também passam por situações constrangedoras. E infelizmente aprendem a lidar com a falta de educação. “Tem vezes que estamos limpando e as pessoas atiram o lixo no nosso nariz”, conta Narione Domingues Duarte, 24, uma das cinco mulheres que trabalham como garis no centro da cidade. Marcionei complementa: “A gente tem que ser educado, afinal estamos ali pra recolher o lixo mesmo, né?”.
O setor de varreção na parte central da cidade é composto de 23 garis. Segundo Amilton da Silva, 32, responsável pelo setor, cada gari recebe o salário de 580 reais. Também têm direito a vale-alimentação e transporte. Todos os trabalhadores passam por um exame médico antes e depois da contratação. As tarefas são divididas por rua.“Esse serviço é bom, porque dá oportunidade para as pessoas que não têm escolaridade. Aqui elas têm trabalho”, explica Amilton. Mas também há o preconceito. Amilton conta que quando passa por algumas pessoas conhecidas com a roupa do trabalho, elas não o cumprimentam.
Instituído por uma lei em 1962, em 16 de maio comemora-se o dia do gari. “Poucas pessoas lembram dessa data”, comenta Amilton. Marcionei lembra que em cidades maiores, como São Paulo, os atores vestem-se de garis para homenagear os trabalhadores. “A nossa profissão devia ser mais valorizada e mais remunerada”, desabafa o gari. Porém, com um sorriso bem aberto, Amilton conclui: “Aqui a gente ganha pouco, mas se diverte”.
*Reportagem publicada no jornal universitário ABRA - Unifra. Maio/2009.

