quarta-feira, 28 de abril de 2010

Garis também têm seu dia

*Reportagem

Papéis de bala, tocos de cigarro, latas de cerveja, restos de comida e folhas secas. Elementos como esses são parte do cotidiano de quem trabalha para deixar nossa cidade limpa. Você pode não notá-los. Mas os garis estão todos os dias pelas ruas, limpando as calçadas e varrendo o lixo que você coloca no chão.

É assim que trabalha Marcionei Oliveira da Silva, 40, há seis anos. Antes de entrar na profissão, Marcionei foi metalúrgico, auxiliar de produção e jornaleiro. Como gari, sente-se bem. “Eu adoro o ‘bom dia’ que recebo das pessoas. Muita gente elogia o meu trabalho quando passam por mim, dizem que estou limpando bem e que a rua está bonita”, comenta. Marcionei trabalha oito horas por dia, e é responsável pela limpeza do trecho da Avenida Rio Branco. “De manhã a gente tira o grosso, e de tarde é pra manter limpo, porque sempre tem um papel ou um toco de cigarro pra ajuntar”, explica ele.

Porém, os garis também passam por situações constrangedoras. E infelizmente aprendem a lidar com a falta de educação. “Tem vezes que estamos limpando e as pessoas atiram o lixo no nosso nariz”, conta Narione Domingues Duarte, 24, uma das cinco mulheres que trabalham como garis no centro da cidade. Marcionei complementa: “A gente tem que ser educado, afinal estamos ali pra recolher o lixo mesmo, né?”.
O setor de varreção na parte central da cidade é composto de 23 garis. Segundo Amilton da Silva, 32, responsável pelo setor, cada gari recebe o salário de 580 reais. Também têm direito a vale-alimentação e transporte. Todos os trabalhadores passam por um exame médico antes e depois da contratação. As tarefas são divididas por rua.“Esse serviço é bom, porque dá oportunidade para as pessoas que não têm escolaridade. Aqui elas têm trabalho”, explica Amilton. Mas também há o preconceito. Amilton conta que quando passa por algumas pessoas conhecidas com a roupa do trabalho, elas não o cumprimentam.
Instituído por uma lei em 1962, em 16 de maio comemora-se o dia do gari. “Poucas pessoas lembram dessa data”, comenta Amilton. Marcionei lembra que em cidades maiores, como São Paulo, os atores vestem-se de garis para homenagear os trabalhadores. “A nossa profissão devia ser mais valorizada e mais remunerada”, desabafa o gari. Porém, com um sorriso bem aberto, Amilton conclui: “Aqui a gente ganha pouco, mas se diverte”.


*Reportagem publicada no jornal universitário ABRA - Unifra. Maio/2009.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mobile Marketing na Unifra

* Reportagem
Foto Laura Fabrício
Para todas as mídias há uma maneira de mostrar o conteúdo: internet, televisão, jornal impresso. E para o celular, alguém imaginou isso? Foi pensando em utilizar o telefone móvel como uma nova mídia que a jornalista Samantha Carvalho, 29, idealizou a Queen Mob , uma empresa voltada ao uso do celular como uma ferramenta de marketing.
Foram nove anos de trabalho em televisão. Depois de passar pela TV Assembleia, RBS TV e TV COM, a jornalista resolve seguir um novo caminho e abrir seu próprio negócio. “Tudo tem outra cara dentro do celular”, comenta Samantha.

A jornalista resolveu levar um caminho diferente: o mobile marketing. Seu objetivo é repensar as idéias das outras mídias para colocá-las na plataforma móvel.
Tudo começou com um projeto direcionado à torcida do Internacional. Entre ringtones feitos pela torcida, vídeos de bastidores e interatividade, o torcedor pode ficar muito mais perto das notícias do seu time, por meio do telefone celular. “A pessoa poderá mandar uma mensagem de texto para o número que será divulgado, e receberá mensagem quando o time fizer gol, por exemplo”. Seu projeto será lançado em duas semanas.
Em seu site, há diversas opções de inserir o celular como uma nova mídia: conteúdos exclusivos para a plataforma móvel, como texto, imagens, vídeo-reportagens, jogos, e também adaptações de site da web para o telefone móvel.
Samantha comenta a diferença de uma profissão para a outra. “Agora, sou uma empresária. São outras ocupações, outras preocupações. Antes eu entrevistava, e agora, dou entrevistas”, explica, relacionando as diferenças.

Com relação aos projetos futuros, a jornalista é determinada: “Quero ver a empresa crescer. Que seja, no mínimo nacional”. Também tem planos, como criar programas de televisão para o telefone celular.
“Tenho muito prazer em fazer isso. Eu descobri um negócio que não sabia que existia”, ressalta, entusiasmada.

A palestra sobre Mobile Marketing foi ministrada para os alunos do curso de Publicidade e Propaganda.
Confira o site da Queen Mob: www.queenmob.com.br

* Reportagem publicada no site da Agência CentralSul  em 18/out/2009

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A rua do poeta

* Crônica

Moro na rua que leva o nome de um poeta. Além de poeta, foi um jornalista. Excelente coincidência para uma aprendiz do jornalismo que vai escrever sobre sua rua.
Falar em “rua do poeta” parece suavizar o ambiente onde se encontra o meu prédio. Moro na Olavo Bilac, e quem não conhece talvez a imagine como algum lugar leviano, já que leva o nome do parnasiano poeta da Via Láctea. Há pouco tempo conheço essa cidade, por isso não sei dizer da história da minha rua, apenas de impressões e fatos que nela presenciei.

Todas as ruas escondem atrás de si uma história. Para João do Rio, elas têm alma. “Há ruas honestas, ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames”. Talvez a minha se encaixe nas trágicas, sinistras e infames, não deixando de ser nobre e delicada.

Não conheço muitas pessoas na minha rua, mas as que conheço parecem ser cordiais. Em uma de suas esquinas, está o colégio Maria Rocha, e na sua diagonal, uma creche. Aí o nobre: criançada e adolescentes enfeitam a rua todos os dias indo e voltando das aulas, dando também efeitos sonoros, como as gargalhadas, os gritinhos histéricos das crianças brincando e as gritarias da gurizada que sai da aula.
Em diagonal ao meu prédio, há uma casa misteriosa, um tanto sinistra. Ali moram algumas pessoas estranhas, eu diria infames. Que levam a fama pelas tragédias que se dão na rua. Um grupo de jovens que estão ali há anos, deixam o ambiente da Olavo Bilac um tanto quanto tenso: são traficantes, responsáveis pela maioria dos assaltos a mão armada e roubos de carro que acontecem pelas redondezas.

É basicamente assim. Minha rua é perigosa. No inicio não percebia isso. Com o tempo escutei, enxerguei e presenciei. É triste ter que tomar tanto cuidado na frente do próprio prédio, dormir por vezes preocupada e ter muita atenção ao chegar em casa depois da faculdade.
Infelizmente, é o que conheço da minha rua. Deve haver, sim, uma história pura e honesta por trás dela. Como há, também, a vivacidade das crianças que entram e saem da escolinha. Como poderia haver algum motivo para receber o nome do poeta das estrelas, talvez um motivo que ultrapassasse a barreira de uma “homenagem ao poeta conhecido”.

* Crônica para a disciplina de Redação Jornalística II - 2008

O artista cava seu espaço

*Reportagem

Palco, plateia, improviso, cenas e ação. Palavras simples para caracterizar algo nem tão simples assim: os atores de teatro. Em Santa Maria, a casa deles é o palco, eles amam o público e assim que se sentem a vontade: dando vida a personagens e interpretando histórias.

É disso que gosta o estudante Jarbas Franceschi, 19 anos, que participa há dois anos e meio do projeto Literatura em Cena. Seu grupo de teatro apresenta as obras do vestibular, uma forma diferente de memorizar as leituras obrigatórias. “As obras encenadas são exclusivamente voltadas para vestibulandos, nossas apresentações são nas salas do cursinho, na biblioteca pública e em algumas escolas”, explica o estudante.

O ator Jader Guterres, 34, também participa do projeto. Jader teve seu primeiro contato com o teatro na 5ª série do Colégio Olavo Bilac, e agora é bacharel em Interpretação Teatral pelo curso de Artes Cências da UFSM. Além de encenar, o ator já dirigiu aproximadamente 15 espetáculos. Jader comenta que, desde pequeno, teve afinidade com a arte. “Pra mim, o teatro é a mais completa das artes. Engloba artes visuais, música, dança, arquitetura, literatura e tudo mais”, complementa o ator.

O Teatro em Santa Maria possui um festival que perdura há oito anos: o Santa Cena. Coordenado pela professora Fátima Marques, formada em Publicidade e Propaganda e Artes pela UFSM e também professora de teatro, o festival nasceu de um acordo entre a Associação Santa-mariense dos Professores de Artes Cênicas (ASPAC) e a Secretaria de Cultura. “Foi idealizado visando colocar na vitrine toda produção teatral de Santa Maria. Cada ano abordamos um tema, mostrando um aspecto do teatro no mundo”, explica Fátima. Segundo ela, já foram abordados temas do teatro no Brasil, no Rio Grande do Sul, na America Latina, e nesse ano, quem merecerá destaque vai ser a França. “Vamos mostrar o teatro francês, a erudição e a cultura na França”, comenta.

Um dos aspectos do festival Santa Cena é que a comunidade tem acesso gratuito às apresentações. Ninguém paga para assistir às peças, e essa parece ser uma forma interessante de garantir o acesso à cultura a uma boa camada da população. Entre os problemas enfrentados, está a falta de colaboração dos órgãos públicos para o festival. “No ano passado foi difícil, o festival se montou sem dinheiro”, explica a coordenadora Fátima. Porém nesse ano, segundo ela, essa situação está tranquila.

Para Fátima, um dos problemas de Santa Maria com relação ao teatro é a falta de infra-estrutura. “Temos apenas o teatro Treze de Maio para apresentações, que só comporta 300 pessoas. Se tivéssemos um teatro popular, que comportasse 900 pessoas, seria mais fácil abranger muito mais a cultura”, explica a coordenadora.

Já Jader pensa que o governo municipal deveria patrocinar festivais como o Santa Cena, para ser um incentivo a mais para a cultura. “Existe mão de obra teatral excelente aqui, o que não existe é incentivo”, protesta.

“Eu aposto na nossa cidade, existe uma vida cultural muito grande aqui”, comenta Fátima. “Tanto faz se é ou não a ‘cidade cultura ‘. Não adianta colocar esse título na cidade sem construir nada antes”. Fátima acredita que é preciso empenho político, movimento de união e esforço da população para que a cidade engrene cada vez mais na cultura. “O artista não corre atrás, ele cava seu espaço”, conclui a professora.

* Reportagem publicada no jornal universitário ABRA - Unifra/ abril 2009