Moro na rua que leva o nome de um poeta. Além de poeta, foi um jornalista. Excelente coincidência para uma aprendiz do jornalismo que vai escrever sobre sua rua.
Falar em “rua do poeta” parece suavizar o ambiente onde se encontra o meu prédio. Moro na Olavo Bilac, e quem não conhece talvez a imagine como algum lugar leviano, já que leva o nome do parnasiano poeta da Via Láctea. Há pouco tempo conheço essa cidade, por isso não sei dizer da história da minha rua, apenas de impressões e fatos que nela presenciei.
Todas as ruas escondem atrás de si uma história. Para João do Rio, elas têm alma. “Há ruas honestas, ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames”. Talvez a minha se encaixe nas trágicas, sinistras e infames, não deixando de ser nobre e delicada.
Não conheço muitas pessoas na minha rua, mas as que conheço parecem ser cordiais. Em uma de suas esquinas, está o colégio Maria Rocha, e na sua diagonal, uma creche. Aí o nobre: criançada e adolescentes enfeitam a rua todos os dias indo e voltando das aulas, dando também efeitos sonoros, como as gargalhadas, os gritinhos histéricos das crianças brincando e as gritarias da gurizada que sai da aula.
Em diagonal ao meu prédio, há uma casa misteriosa, um tanto sinistra. Ali moram algumas pessoas estranhas, eu diria infames. Que levam a fama pelas tragédias que se dão na rua. Um grupo de jovens que estão ali há anos, deixam o ambiente da Olavo Bilac um tanto quanto tenso: são traficantes, responsáveis pela maioria dos assaltos a mão armada e roubos de carro que acontecem pelas redondezas.
É basicamente assim. Minha rua é perigosa. No inicio não percebia isso. Com o tempo escutei, enxerguei e presenciei. É triste ter que tomar tanto cuidado na frente do próprio prédio, dormir por vezes preocupada e ter muita atenção ao chegar em casa depois da faculdade.
Infelizmente, é o que conheço da minha rua. Deve haver, sim, uma história pura e honesta por trás dela. Como há, também, a vivacidade das crianças que entram e saem da escolinha. Como poderia haver algum motivo para receber o nome do poeta das estrelas, talvez um motivo que ultrapassasse a barreira de uma “homenagem ao poeta conhecido”.
* Crônica para a disciplina de Redação Jornalística II - 2008

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