Palco, plateia, improviso, cenas e ação. Palavras simples para caracterizar algo nem tão simples assim: os atores de teatro. Em Santa Maria, a casa deles é o palco, eles amam o público e assim que se sentem a vontade: dando vida a personagens e interpretando histórias.
É disso que gosta o estudante Jarbas Franceschi, 19 anos, que participa há dois anos e meio do projeto Literatura em Cena. Seu grupo de teatro apresenta as obras do vestibular, uma forma diferente de memorizar as leituras obrigatórias. “As obras encenadas são exclusivamente voltadas para vestibulandos, nossas apresentações são nas salas do cursinho, na biblioteca pública e em algumas escolas”, explica o estudante.
O ator Jader Guterres, 34, também participa do projeto. Jader teve seu primeiro contato com o teatro na 5ª série do Colégio Olavo Bilac, e agora é bacharel em Interpretação Teatral pelo curso de Artes Cências da UFSM. Além de encenar, o ator já dirigiu aproximadamente 15 espetáculos. Jader comenta que, desde pequeno, teve afinidade com a arte. “Pra mim, o teatro é a mais completa das artes. Engloba artes visuais, música, dança, arquitetura, literatura e tudo mais”, complementa o ator.
O Teatro em Santa Maria possui um festival que perdura há oito anos: o Santa Cena. Coordenado pela professora Fátima Marques, formada em Publicidade e Propaganda e Artes pela UFSM e também professora de teatro, o festival nasceu de um acordo entre a Associação Santa-mariense dos Professores de Artes Cênicas (ASPAC) e a Secretaria de Cultura. “Foi idealizado visando colocar na vitrine toda produção teatral de Santa Maria. Cada ano abordamos um tema, mostrando um aspecto do teatro no mundo”, explica Fátima. Segundo ela, já foram abordados temas do teatro no Brasil, no Rio Grande do Sul, na America Latina, e nesse ano, quem merecerá destaque vai ser a França. “Vamos mostrar o teatro francês, a erudição e a cultura na França”, comenta.
Um dos aspectos do festival Santa Cena é que a comunidade tem acesso gratuito às apresentações. Ninguém paga para assistir às peças, e essa parece ser uma forma interessante de garantir o acesso à cultura a uma boa camada da população. Entre os problemas enfrentados, está a falta de colaboração dos órgãos públicos para o festival. “No ano passado foi difícil, o festival se montou sem dinheiro”, explica a coordenadora Fátima. Porém nesse ano, segundo ela, essa situação está tranquila.
Para Fátima, um dos problemas de Santa Maria com relação ao teatro é a falta de infra-estrutura. “Temos apenas o teatro Treze de Maio para apresentações, que só comporta 300 pessoas. Se tivéssemos um teatro popular, que comportasse 900 pessoas, seria mais fácil abranger muito mais a cultura”, explica a coordenadora.
Já Jader pensa que o governo municipal deveria patrocinar festivais como o Santa Cena, para ser um incentivo a mais para a cultura. “Existe mão de obra teatral excelente aqui, o que não existe é incentivo”, protesta.
“Eu aposto na nossa cidade, existe uma vida cultural muito grande aqui”, comenta Fátima. “Tanto faz se é ou não a ‘cidade cultura ‘. Não adianta colocar esse título na cidade sem construir nada antes”. Fátima acredita que é preciso empenho político, movimento de união e esforço da população para que a cidade engrene cada vez mais na cultura. “O artista não corre atrás, ele cava seu espaço”, conclui a professora.
* Reportagem publicada no jornal universitário ABRA - Unifra/ abril 2009

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